30 de agosto de 2015

Netuno - Deus dos Mares

Escultura de Netuno - Fonte: imagens google

Nascimento, festas, viagens, culto e atributos de Neptuno.

Netuno deus dos mares, era filho de Cibele e de Saturno, como seus irmãos e irmãs escapou à voracidade do pai, graças a sua mãe, que fez engolir a Saturno um potro envolvido em cueiros; Cibele fez descer o menino, com todas as precauções do Olimpo e escondeu-o num curral da Arcádia confiando-o aos cuidados de um pastor chamado Arno. Depois de crescido, ajudou seu irmão Júpiter na luta contra os Titães que ele encarcerou no Tártaro depois de os prender com grossas cadeias.

Na guerra dos Gigantes, não mostrou a mesma coragem, foi visto como um dos primeiros a fugir do Olimpo sob a forma de um cavalo; mais tarde conspirando com os outros imortais contra o soberano dos deuses, foi expulso do céu e condenado a passar um ano sobre a terra. Um dia, quando com Apolo, seu companheiro do exílio, passeava à borda do mar, encontrou Laomedonte, o Troiano, ocupado a levantar as muralhas da cidade de Troia. Este príncipe pediu aos dois proscritos que o ajudassem no seu trabalho; Netuno cortava as pedras, colocava-as umas sobre as outras cimentada com barro; Apolo animava os trabalhadoras e operários com os acordes da sua lira harmoniosa; acabada a obra, Laomedonte recusou-lhes o salário estipulado e para se subtrair ao pagamento mandou-os sair dos seus estados. Apolo e Neptuno não fizeram esperar muito tempo a sua vingança; o deus do sol fez cair sobre a região um calor abrasador, infectou o ar com axalações pestíferas e os troianos morreram em grande número. Neptuno, por sua vez, inundou os campos de Tróia e fez nascer um monstro marinho que devorava todos aqueles que a peste ou a inundação poupava. 

Os troianos foram consultar o oráculo, que lhes respondeu que para apaziguar a cólera dos deuses era necessário expor uma donzela a ser devorada pelo monstro; deitaram-se sortes e duma urna devia sair o nome da vítima; o grão sacerdote então, no meio da silenciosa consternação dos assistentes chamou por Hesione, filha única de Laomedonte; a infeliz arrancada dos braços de seu pai, foi conduzida ao lugar do suplício, mas Hércules libertou-a, matando o monstro.

Entre Netuno e Minerva travou-se também renhida luta porque ambos aspiravam à honra de dar o seu nome à nova cidade que Cecrops acabava de fundar na Ática; como já vimos, Minerva, produzindo uma oliveira carregada de frutos, venceu Netuno que tinha feito sair da terra um soberbo cavalo.

Semelhante luta se travou ainda entre estas duas divindades acêrca da cidade de Teágenes, mas desta vez, levada a questão perante Jupiter, este resolveu conciliar as duas ambições dando o título de rei a Netuno e o de protetora a Minerva: por alusão a esta contenda os habitantes de Teágenes nas suas moedas tinham gravado num lado o tridente de Netuno no outro a efígie de Minerva.

A história fabulosa de Netuno encerra, como a dos outros deuses, sob o véu da alegoria, alguma verdade moral ou a descoberta de uma nova arte; a origem do cimento data da construção das muralhas de Troia, que Netuno tornou indestrutível; os primeiros arquitetos contentavam-se em assentar as pedras umas em cima das outras sem as unir, mais tarde consolidaram-nas revestindo-as duma camada de areia molhada que o sol endurecia: esta dupla ação da água e do sol foi personificada sob os nomes das duas divindades que presidiam a estes dois princípios.

Netuno, com a sua cor morena, os olhos esverdeados, a barba cheia de limos, com a sua coroa de juncos marinhos e de tridente na mão, não podia encontrar mulher alguma que quisesse desposá-lo; aborrecido de viver só no fundo das águas, resolveu recorrer à astúcia para conseguir o que ambicionava. Mandou, como embaixador, um delfim, a uma das filhas do Oceano, chamada Anfitrite; o eloquente mensageiro, chegado junto da Oceânitide, deu conta da sua missão, falou-lhe da beleza e do poder do deus e do imenso império que lhe era destinado, se ela acolhesse de bom grado a proposta que lhe era feita; Anfitrite cedeu ; foi marcado o dia das núpcias e todos os habitantes do elemento líquido foram convidados a vir honrar o cortejo do seu jovem soberano; então viu-se de todas as partes chegarem as aves aquáticas, os peixes, os enormes cetáceos, os rios, as Oceânitides e uma multidão inumerável de Nereidas.

À frente do cortejo avançavam os Tritões, de cabeleira verde e molhada, tirando dos seus búzios sons retumbantes; em seguida vinham quatro corcéis marinhos, de ventas fumegantes, crinas eriçadas, que puxavam sobre rodas de ouro a concha real de Netuno, o poderoso deus dos mares, com a fronte cingida de um magnífico diadema, tendo numa das mãos o seu temível tridente e com a outra acariciando as ondas; à sua direita marchava a real esposa rodeada das suas irmãs e de jovens ninfas; todo o resto da população das águas exultava de alegria em torno das duas augustas divindades; o cortejo dirigiu-se para a ilha de Citera, onde se deviam celebrar os esponsais.

Netuno, rei dos mares, aluindo as montanhas e as florestas, transpondo o horizonte em três passadas, movimentando à sua vontade os ventos e as tempestades, era uma divindade poderosa, temida como tal e universalmente adorada.

Atenas, que pelo seu comércio marítimo atingiu um tão alto grau de poder e de prosperidade, não se mostrou ingrata para com o seu deus tutelar; consagrou-lhe especialmente o mês de dezembro; durante este mês tão fecundo em tempestades, ornavam o templo deste deus com extraordinária magnificência e dirigiam-lhe preces públicas. Entre os gregos Netuno era também chamado Poseidon que significa quebra-navios, e Hípios que quer dizer cavaleiro porque houve um Netuno que ensinou o seu povo a governar os cavalos.

Os jogos em honra de Netuno celebravam-se no ístmo de Corinto e chamavam-se jogos Ístmicos; ali concorria quase toda a Grécia, havia prêmios para os vencedores e coroas de pinheiro; constavam de corridas, jogo do dardo, do disco, poesias e música; quando a Grécia passou ao domínio romano
introduziram nestes jogos combates de animais; atribui-se a instituição destes jogos a Teseo, que se dizia filho de Neptuno.

Em Roma, Netuno, como deus elos mares, tinha festas que se celebravam no mês de fevereiro; este mês era-lhe especialmente consagrado, porque era, antes da chegada da primavera, que os navios partiam; então faziam-se libações com água do mar, do rio ou da fonte, depois o sacerdote imolava
sobre os altares um touro branco ou um cavalo, os aruspices examinavam as entranhas das vítimas para conhecer o futuro.

Como domador de cavalos, Netuno, tinha na mesma cidade festas chamadas Consuais, instituídas por Rómulo; durante estas festas numerosas cavalgadas percorriam os diversos bairros de Roma e, em cada paragem, imolavam-lhe um carneiro ou um touro.

Representavam Netuno sempre armado do seu tridente,ora de pé sôbre as ondas, ora sôbre um carro ou sobre uma concha puxada por quatro cavalos ou quatro delfins, as rodas douradas deslizam pela superfície das águas e em volta saltam-lhe os Tritões ou as Oceânitides.

Anfitrite, esposa de Netuno, também tinha o seu carro, que era sempre acompanhado pelas Delfins, cujas escamas se assemelhavam a escudetes azuis e de ouro, e que brincando aos tombos pelas ondas as faziam rebentar em branca espuma; após vinham os Tritões tocando nos seus búzios. O carro de Anfitrite era tirado por cavalos tão cândidos, que escureciam a neve e rasgando o mar salgado, deixavam na sua esteira muito ao longe um vasto sulco. O carro da deusa era de uma só concha de pasmoso feitio, mais alva que o marfim, as rodas eram de fino ouro. Um tropel de Ninfas com capelas de flôres, vinham em cardume nadando em seguimento do carro e os seus belos cabelos ondeavam ao sabor dos ventos; os Tritões conduziam os cavalos e pegavam-lhes nas douradas rédeas. A deusa tendo na mão um cetro de ouro, de semblante sereno e afável majestade, parece afugentaros ventos e as negras borrascas.

Netuno em concha puxado por cavalos no mar
Netuno - MAGNO, Albino. MITOLOGIA. Lisboa. Pág. 131-136

Referência Bibliográfica 

MAGNO, ALBINO PEREIRA - MITOLOGIA - História do paganismo de vários povos da antiguidade, Egípcios, Assírios, Babilônios Persas, Gregos, Romanos, lndus, Scandinavos. Bretões e Gaulêses, e sucintas narrações dos seus usos e costumes em relação com as suas crenças religiosas -INTERPRETAÇÃO  E EXPLICAÇÃO DAS DIVERSAS PASSAGENS MITOLÓGICAS DOS "LUSÍADAS". J. RODRIGUES e Ca. 186, RUA DO.OURO, 188 . LISBOA

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